AÇÕES DOS TEMPOS

August 11th, 2006 by cotidianome

Ações dos Tempos - Dayse Hansa

Tempos modernos
Eu no passado?
Às vezes acerto
N’outras me condeno.

Tempo atual
Olho à frente
Pela frente há você
E em você alguém

Tempo futuro
Agarrarei o relativo
Você estranhará
Momento de passar?

Tempos e mais tempos
Dou-me bem com eles, pois como diria o poeta:
“Eu posso, ele não vai poder me esquecer…”

MULHERES TAMBÉM NÃO CHORAM

August 7th, 2006 by cotidianome

MULHERES TAMBÉM NÃO CHORAM

Por Dayse Hansa

Quando eu era menina, digo, quando tinha lá os meus 5 anos de idade, vivia uma realidade muito diferente das crianças de minha faixa etária. Meu pai e minha mãe com relação à educação que nunca tiveram tentaram passar à mim e meus irmãos as realidades do mundo.

Falaram sobre drogas, sobre guerras, deram introdução ao que era sexo e pediram em especial à mim para que desconfiasse dos “homens”, já que haviam muitos pedófilos e pessoas falsas neste mundo e eu precisa ter mais atenção, pois era mulher. Com isso eles alternavam-se entre “modernos” e em alguns momentos “conservadores”.

Eu não entendia muita coisa naquela idade, mas lembro-me que desenvolvi duas coisas que penso hoje me ajudar bastante que é observar e gravar. Ouvia meu pai conversando com seus amigos e ficava tentando imaginar as histórias, algo do tipo: “O Fantástico Mundo de Bob”, eita imaginação!

Papai tinha coleção de livros e também de Gibis (os mais variados) e toda semana comprava mais novos e lia para mim. Eu gravava os diálogos dos personagens e suas respectivas páginas e depois ia “fingir” que estava lendo para minha mãe e quem mais em casa tivesse. Lembro-me que quando chegava visita em casa eu fazia questão de ir lá “ler” para estas pessoas e ficava me achando a super garota ao fazer aquilo, coisas de criança.

Com o passar do tempo comecei a desenhar, depois a desenhar as letras das garrafas de bebidas que meu pai dava às pessoas visitantes em nossa casa, foi então que ele ao perceber aquele meu interesse nas letras comprou-me uma cartilha de alfabetização e começou a me ensinar a ler e escrever aos poucos.

Na infância fui uma menina muito alegre e realmente vivi aquela fase. Sem dúvida foi mágica!

Mas aos 09 anos eis que papai morre de forma brutal e não foi fácil ver aquilo. Sem dúvida uma cena que está marcada em minha vida. À partir dali, minha mãe que tentou após um tempo de fragilidade emocional ser forte para que seguíssemos e nos adaptássemos àquela nova realidade, assumiu então a família e começou a passar ensinamentos para enfrentar este mundo duro.

Foi quando em um momento em que eu e meu irmão mais novo ao tentarmos nos integrar em uma cidade do interior de Minas Gerais sofremos agressões (físicas e muitas psicológicas) dos meninos dali por sermos diferentes, falarmos diferente, nos vistirmos diferente, ou seja, minoria naquele espaço. Chegamos então triste e chorando em casa e nossa mãe nos disse algo do tipo: “Não chorem! Nunca chorem diante de fatos como estes ao chorarem demonstraram fraqueza, não façam mais isso!”. Para mim soava muito nova aquela recomendação, já que minha mãe era uma mulher que apesar de ter um gênio forte era uma manteiga derretida, mas hoje aos 24 anos, tendo saído de casa aos 17 entendo o que ela quis dizer naquele momento, pois vivi situações em que eu não podia chorar.

Meu sub-inconsciente às vezes diz: “Mulheres também às vezes não podem chorar!”.

Ser forte é um exercício que se faz em público.

 

EU JÁ TE DISSE?

August 2nd, 2006 by cotidianome

EU JÁ TE DISSE?

Por Milly Lacombe

Sabe do que eu gostava e nunca te falei? Quando você saía do banho. Você nunca conseguiu se secar direito. Vinha pingando pelo quarto. Cabelo displicentemente penteado, e completamente encharcado. De calcinha, e escorrendo água por aquele corpo reto, sarado, lindo. Aí, como se estivesse completamente seca, você deitava na cama, do meu lado. Colada. E me beijava com a boca doce, úmida, só minha.

Depois de um tempo, lembrava dos cachorros, e abaixava, de bruços, para recolhê-los para cima. Enquanto fazia isso, me lançava um olhar que pedia aprovação. Se eu não dissesse nada, você cantarolava alguma coisa, algumas daquelas músicas que você compunha para eles e me fazia rir muito, e lá vinham aqueles dois cachorros miúdos correr pela cama em volta de você. Eu só deixava, e isso eu nunca te falei, porque adorava a cara que você fazia.

Você ria como uma criança. Uma criança que você é, e nunca vai deixar de ser. E isso, talvez eu nunca tenha te dito, é das coisas mais bonitas que você tem. Bonito porque, mesmo sendo tão pura e ingênua, você é madura, forte, determinada. Você é tudo isso em uma só. E o que me atraiu em você, numa tarde de verão californiano, foi exatamente essa mistura rara. E isso, eu acho, nunca te disse.

Eu também nunca te disse que você foi a melhor coisa que me aconteceu na vida, disse? Disse que nunca antes tinha amado de um jeito tão forte, tão químico, tão sensível? Que nunca tinha tremido de paixão como naquela noite que você me beijou no sofá da sala? E em todas as seguintes. Já te disse? E eu já te disse que você me entendia como ninguém jamais me entendeu na cama? Que eu nunca fui tão longe? Que te ver sorrindo em cima de mim, só pra mim, talvez seja, até hoje, minha paisagem predileta?

Sabe do que mais eu gostava? Quando você imitava o cara do desenho animado, o portuga. Eu ia trabalhar lembrando da imitação e morria de rir, sozinha no carro. Eu já te disse que te amei, entre tantas outras coisas, porque você me fazia rir? Já te disse que hoje, quando a gente se encontra e consegue superar a dor para falar do passado, você ainda me faz rir assim? Já te disse que lembrar da vida que eu tive do seu lado é meu passatempo predileto? Que você me ensinou sobre as pessoas, sobre as verdades, sobre futebol, sobre política, sobre justiça, sobre como um prédio sai do chão e chega ao último andar, sobre a lógica da vida?

Já te contei como essas coisas mudaram a forma como eu vejo o mundo? Já te disse como era bom ficar deitada no seu ombro? De como eu me sentia segura? De como eu gostava quando a gente via “cuickócuick” e de como a gente sacaneava, naquele jogo que vai ser para sempre só nosso, “Summerland”? Já te disse que, até hoje, quando eu ouço a sua voz no telefone, meu coração palpita diferente? Que a sua voz, as coisas que você me diz, o jeito que você diz, entram no meu ouvido da forma mais doce do mundo? Que eu adorava quando você me abraçava no meio da noite?  Que eu chorava quando a gente fazia amor?

Já te disse que te ver chorar é como pegar uma faca bem afiada e ir passando ela devagarinho pela minha alma? Que eu ainda sonho com você? Com a gente lendo o jornal no chão da sala, tomando café, comendo as “especialidades” que você fazia para mim? Já te disse que eu comecei a escrever este texto umas 300 vezes e nunca consegui terminar porque as lágrimas não deixavam?

Já te disse que as músicas que você compôs no violão são as mais bonitas que eu já escutei? Que eu ouvia sozinha, escondida, quando você estava no trabalho, e elas me faziam chorar? Já te disse que eu adorava quando a gente ia almoçar na casa dos seus pais e suas irmãs ficavam falando de como você era mal- humorada na infância? Eu te olhava, ouvindo a mesa inteira falar de você, e via a mulher que só eu conhecia, que só eu amava daquele jeito tão fundo. E sentia um orgulho enorme. Aliás, e isso eu acho que eu já te disse, eu sinto tanto orgulho de você… Tanto.

Eu queria ver o mundo com seus olhos de criança, chorar e deixar as lágrimas pularem, e não apenas escorrerem. Queria ser indignada como você. Inquieta como você. Justa como você. Bonita como você. Intensa como você. E sabe o que mais eu queria? Ter tido um filho seu. Porque eu queria que você se multiplicasse. Acho que é disso que o mundo precisa. Pessoas bonitas, fortes, inquietas, indignadas, questinadoras, inteligentes. Como você.

Mas tem uma coisa que eu certamente nunca te disse. Por que a gente se separou. Sabe por que eu nunca te disse? Porque eu nunca entendi. Eu não sei o que te afastou de mim, o que me afastou de você. O que eu sei é isto: eu sempre vou te amar. Pelo que você é. Pelo que você foi. Pelo que você será.

Fonte: http://revistatpm.uol.com.br/colunas_tpm/index_materia.php?id=268&col=9

A PRÁTICA SOCIAL AS VEZES NOS FALTA, SÓ PRECISAVA TER SIDO SOLIDÁRIA

July 24th, 2006 by cotidianome

A PRÁTICA SOCIAL AS VEZES NOS FALTA, SÓ PRECISAVA TER SIDO SOLIDÁRIA

Por Dayse Hansa

Dia desses fui à um mercado em minha quadra para comprar pão e outras coisas que estavam em falta em casa.

Já no mercado, olhando as prateleiras e comparando os preços de repente me surgi uma menina, que não devia ter mais de 12 anos de idade, a mesma se aproxima e me pede para pagar um macarrão instantâneo para ela. Eu tava tão assustada com a abordagem, pois estava muito atenta aos cálculos que ao vê-la daquela forma, descalço, com as roupas sujas e com cheiro de cola de sapateiro agi automaticamente dizendo que não tinha.

A menina foi embora e eu fiquei pensando: “Minha nossa! Eu podia pagar e outra, ela não me pediu dinheiro e sim que pagasse para ela um alimento, crueldade a minha”.

Fiquei tão paralisada com o acontecimento que resolvi pegar os pães, pagá-los e ir para casa.

Quando de minha surpresa!

A menina passa com mais três outras por um caixa que estavam fechado, mas que o portão de acesso estava destravado o que levava à saída principal do mercado. Elas estavam com as mãos escondidas embaixo da blusa e os seguranças já se aproximavam para fazer algum tipo de abordagem, mas elas conseguiram ligeiramente sair do mercado e não mais as vi.

Na verdade, as vejo todos os dias, principalmente a menina que me abordou. Meu coração dói e fico me perguntando que eu poderia ter agido ali, ter comprado o macarrão para ela, ter perguntado qual era seu nome, perguntar aonde estavam seus pais, aonde morava, entre tantas outras coisas, isso seria me importar. Mas eu não tive sensibilidade com outro à ponto de fazer tudo isso, eu julguei e mais ainda, se fossem pegas, seria responsável também, pois uma ação minha poderia ter feito a diferença.

É tão ruim esta sensação de impotência, pensar que um dia em uma pastelaria eu critiquei uma mulher por ela ter dado dinheiro à um garoto que estava drogado. Falei que ela estava contribuindo para o vício dele e que ao invés do dinheiro poderia ter dado algo de comer à ele.

Não consigo esquecer aquele olhar e penso que nunca esquecerei.

SONHOS X MÉTODOS - “Agora que eu Acreditei você Diz que não Mais?”

July 18th, 2006 by cotidianome

SONHOS X MÉTODOS - “Agora que eu Acreditei você Diz que não Mais?”

Por Dayse Hansa

É uma sensação estranha como nossos sonhos quando bem descritos são compartilhados e se tornam os das outras pessoas também.  

Lembro-me que o mês de Maio foi um destes meses de reviravolta, eita cotidiano meu!

Mas voltando…

Em uma viagem feita à Recife para um grande evento político, tive a surpresa de uma outra militante vir me pedir desculpas por algo banal e que até hoje me pergunto o “por que”, enfim, me explicou tudo o que havia feito ela  deixar de falar comigo e tudo mais.

Para explicar melhor, ela foi ativista na mesma entidade a qual hoje também sou ex. Na ocasião me perguntou como estava lá e porque ainda continuava na mesma. Expliquei minhas razões e sonhos para com a entidade dizendo que eu Amava o que aquilo poderia se tornar e que tinha convicção que mudaria um dia.

Enfim, sexta-feira, dia 14/07 eu a encontrei em um bar da cidade (Brasília) e ela veio me dá um longo abraço e dizer que já estava sabendo de minha saída da entidade.

Conversa vai, conversa vem, ela me falou para não desistir, pois não era uma coordenação que me faria melhor ou pior, mas que não saísse efetivamente do corpo da entidade.

Eu, como venho planejando novos objetivos que já se faziam inclusive na época de voluntariado nesta, disse que não sabia se queria mais continuar, daí vem a frase dela: “Agora que eu Acreditei você Diz que não Mais?”. Então expliquei à ela que não mais acreditava na forma de atuação das pessoas presente ali, e que a minha construção coletiva seria coletiva com outro atores.

Enfim, conversamos mais e mais e depois fui para casa e não pude deixar de refletir….

Como nossos sonhos se tornam os dos outros também quando demonstramos que os métodos podem dá certo.

Infelizmente, o meu método não se aplicou às pessoas e quando não há consenso…

POVO: ESTE PROBLEMA É MEU, SEU, DE TODO MUNDO! O POVO SOMOS NÓS!

July 17th, 2006 by cotidianome

POVO: ESTE PROBLEMA É MEU, SEU, DE TODO MUNDO! O POVO SOMOS NÓS!

Por Dayse Hansa 

É impressionante a nossa falta de comprometimento com as outras pessoas. Nos colocamos fora de um escopo em que estamos mais que dentro e que deveria ser da nossa conta sim os problemas alheios, mas ao invés disso ficamos a todo momento criticando o Povo. O povo isso, o povo aquilo, o povo merece o mensalão, o povo merece juros altos.

Minha nossa! Ultimamente tenho ficado irritada com estas afirmações, mas comigo mesma também, pois eu também as faço!

Não nos damos conta, ou não queremos (aquele comprometimento com o outro, minimamente uma falta de solidariedade) ver que nós somos o povo!

O seu vizinho que bate na mulher e nos filhos é o povo! Mas você também é o povo que deveria tentar conversar com ele ou ela sobre estes problemas, ou minimamente chamar as autoridades para que o fizessem. O que você fez?

A sua amiga que está sofrendo, pois foi traída no relacionamento e foi deixada é povo. Você também é o povo e deveria saber se solidarizar e e estar ao lado dela, ou minimamente conversar com ela sobre esta história 1 milhão de vezes até que passe. O que você fez?

Você vai à padaria e lá a TV está ligada trazendo as últimas notícias de escândalos no parlamento, daí você ouve o padeiro comentar que isto é bem feito para o Povo e você concorda.

Mas vamos lembrar, o padeiro é o povo, você também é o povo, esqueceu? O que acontece lá e que nós sabemos que é culpa do “Povo” que não faz suas escolhas e referenda de quatro em quatro anos repetindo-se o vitimismo que jogamos aos “outros” deixando em casa ou em outro lugar que não conosco os nossos espelhos da razão.

Se o parlamento, presidência, prefeituras, o condomínio, a faculdade, entre tantos outros espaços estão um pandemônio cabe a mim, a você, ao vizinho, enfim, nós que somos o Povo mudar isso.

Basta de repetir o mesmo discurso. A fita já está gasta, além do mais estamos na era da tecnologia, mudemos para o CD-ROM, lá tem 800MB para gravarmos ações para as mudanças! Pois nós sabemos como mudar, somos os sujeitos destas histórias!

“O Povo sou eu, é você, façamos a mudança agora e não vamos mais ficar apontando e dizendo que o povo é que sofre e merece, pois não mereço e não quero sofrer, assim como penso que no fundo você não!

Povo em grego significa “Demos” que em português quer dizer Democracia. Estamos em uma democracia, sejamos o Povo de fato! Mas para isso precisamos compreender nossas diversidades, para então sermos um “Povo Unido”, comecemos então com a Solidariedade.

POVO, segundo Wikipedia.com.br:

Povo refere-se a um grupo de seres humanos unidos por um factor comum, tal como a nacionalidade, cor da pele, religião, país, etc. Assim, a Bíblia, por exemplo, fala do povo de Moisés.

Os membros de um determinado “povo”, (como, por exemplo, o povo português, ou o povo brasileiro) partilham valores, crenças e hábitos em comum.

Uma outra acepção, agora política, da palavra Povo é usada para significar àquela grande parte da população de uma nação que não tem posição de poder político. Nesta acepção contrapõem-se á palavra elite.

Então, Conjuguemo-nos!

O beijo

July 17th, 2006 by cotidianome

O Beijo - Dayse Hansa 

Ao abrir seus olhos ela não imaginava ver algo tão sublime, vivo quanto o olhar que nos seus parou.
Era algo novo, mas ao mesmo tempo lhe parecia tão conhecido.

As palavras não verbalizavam, mas se faziam no balé perfeito daquela dança entre os olhores.

O calor chegava e aumentava na medida em que se aproximavam e sentiam ambas as respirações até que não mais se ouvia algo além das batidas dos corações, que não disputavam, eles se seguiam até sincronizarem em um.

Diante de tanta magia os lábios lentamente se tocaram e então se beberam daquela paixão.

Sensações de um carnaval.

Olá mundo!

July 17th, 2006 by cotidianome

Olá Mundo,

Volto a escrever depois de tempos..

O Menininha do Portão fica para trás como uma página de um grande livro lido, vivido, doado para não ser esquecido. Este agora de informações mil, ao invés de uma.

Talvez seja o tempo, talvez a falta dele ou seria a sobra dele?

Bom, mesmo sem uma resposta satisfatória para os olhos que vêm à tela, digo que a vontade voltou e então cá estou, pois como diria alguém a qual não recordo o nome agora “é melhor fazer do que secar, morrer de vontade”.

Bem vindas/os ao Cotidiano Me.

[]s,
Dayse Hansa